21 de dezembro de 2011

Intrigas, intrigante.

Era intrigante a ligação que tinham como seres iguais ao mesmo tempo diferentes e destoantes.
“Entoantes” e destoantes ao mesmo tempo, talvez fossem da mesma cor, mas de tonalidades diferentes...
Um, o azul muito forte, mas melancólico, como o mar agitado em uma noite escura determinado a ir de encontro às rochas, decidido a seguir seus vários caminhos, que mudavam de acordo com o vento. Não tinha medo, tinha coragem de sobra, e um coração grandioso e fiel, se orgulhava demais de suas ondas magistrais.
Muito agitado, porém, pouco amado e, portanto seus olhos tinham as profundezas de um mar muito fundo capaz de levar com ele quem fosse.
Talvez alguém que quisesse mergulhar junto para que as coisas não parecessem tão solitárias...e talvez mais calmo e claro.
O outro, um azul um pouco mais claro, mas nem tanto, tinha seus muitos mistérios, vivia em calmaria, precisava de paz. Suas águas transpareciam compreensão e insatisfação. Muito cheio, acumulava tudo que jogavam em seus arredores, e em tardes de vento se agitava, transbordava. Seu olhar era âncora, pesado de amor. Pouco confiante em suas ondas atrapalhadas, confundia-se facilmente. Era doce também, nas profundezas encontrava-se a fé. Tinha seu orgulho, era forte. Mas escondia tudo, na neblina rala.
Juntos eram água, mas em ventos fortes o orgulho era muito para um, em tempos de calmaria o silêncio era muito para o outro.
Um tinha a fé que o outro sempre quis. O outro admirava a determinação, o que nunca encontrou em si. Ambos estavam ali admirando um ao outro. A profundeza do mar assustava. A calmaria nebulosa irritava.

A foz sempre esteve ali, mas o desaguar nunca aconteceu.

Por Aslien.

10 de dezembro de 2011

Nos perdemos um do outro...















...se fôssemos de encontro, 
seríamos um ponto na imensidão.
Um ponto sem final.

Por Aslien.

18 de novembro de 2011

Pergunte ao homem  que ele sabe! Se ele sabe se o amor deve machucar!
Se ele mesmo machucado pode amar! Se quem machucou o amava mesmo!

Vá, pergunte, por que o amor não pode ficar preso!
Por que ele é tão delicado! Por que depois de não correspondido
a gente a ainda ama com medo!

Será que não tem um jeito de amar sem amar?
Ou do medo se afastar?
O coração cansado e metralhado, coitado, pode perdoar?

Eu perguntei.
O homem disse que não é nada pessoal, mas não sabe se existe esse tal amor.
Se existe se descobre tarde.
Ou ele te descobre, sem você perceber.

...
Agora eu te pergunto, será que a gente ama mesmo, "de coração"?

Por Aslien.

28 de outubro de 2011

As duas faces.


Umas das coisas mais horríveis o qual posso explicitar, e os quais os homens deveriam classificar como sendo uns de seus piores erros:
É idealizar alguém, e acreditar que ama a pessoa mais que a própria imaginação...
E outra, é se sentir pequena diante de um caminho enorme, procurando a perfeição e, caminhando nossos erros parecerem incrivelmente excruciantes e mesmo assim ter que aprender a conviver com eles mesmo que tenham sido cometidos na ânsia de acertar...

Por Aslien.

8 de outubro de 2011

1, 2, 3... martínis.


Quando olhava pra ela, ainda conseguia captar toda aquela beleza... Depois de cinco anos e, de cinco martínis. Aos olhos dele, ela continuava linda. Ao falar, ao sorrir, ao andar...
O modo como arrumava os cabelos e a maneira de sempre olhar a pessoa a sua frente antes da primeira mordida.
Foi ai que ele lembrou o trágico final de tudo aquilo... Eram sempre pequenas discussões, pequenos carinhos na madrugada. Era ótimo, mas era inverossímil. Não totalmente, era verdade em pequenos detalhes, pequenos detalhes que foram poucos, ou fracos para aguentar o peso todo. Era tão doce e duro ao mesmo tempo. Se déssemos nomes a essas coisas, seria a própria “rapadura.”
Mas falando sério, ele não acreditava, estava tonto podia ser os martínis, mas não era. É que vê-la assim de repente fez com que toda a bagagem, que esteve encostada na parede de seu apartamento alugado todo esse tempo, viesse golpeá-lo com toda força. E quem dera, se essa força toda estivesse se apresentado antes... De outra forma...
Não era certo, parecia irreal. Ele lembra como foi difícil acreditar no que ocorreu, e muito mais acreditar que no que ocorria agora. Desde suas primeiras palavras, um com o outro, ele sentiu algo diferente, algo que não podia ser desperdiçado. E ela estava ali para lhe provar o quanto foi estúpido, ou talvez não?
Pensar que poderia encontrar alguém que lhe fizesse esquecer o quanto ele a queria lhe fazer feliz?
É talvez não... Deu mais um gole em seu martíni, e saiu pela porta deixando pra trás seus rastros, mas não sem antes perceber o olhar dela de encontro com o seu. E andando, o vento frio cortando seu rosto, ele percebeu. Seu sentimento estava certo desde sempre, havia algo e nada foi desperdiçado, estava ali... No dia seguinte, seria confirmado que ele era simplesmente o mais sortudo de todos, pois quem ele amava, decidiu o amar de volta.

Por Aslien.

18 de setembro de 2011


A tristeza de um coração mudo, é uma tristeza que não se sente,
mas que persiste, e não cala o silêncio.
É como um alguém muito cansado de se debater nas grades, 
mas qualquer contato com o metal frio o fizesse lembrar onde está. 
E ele permanecesse quieto.
Só ouvindo seu coração bater em busca de calor.
O calor que ele perdeu, e que o fez perecer na própria jaula.
É o vácuo e o descompasso das vozes.

Por Aslien.

17 de junho de 2011

Navegante(s)

Guarda a chuva, que agora não é hora
Guarda-chuva por favor, para essa senhora!
A senhora que me ouve, a senhora do tempo.
Me disse que não é hora.
Se fosse estaria escuro, estaria longe o meu navio do navegante.
Seria o último dos horizontes.

Segura essa chuva que teima em vim, para eu poder dormir
E me traz um chá, um calmante.
Pra eu poder sentir quente o que me torna frio.
E poder navegar seguro e tranquilo.

A senhora disse! Ela disse que não é hora!
Então esquece o guarda-chuva que, já vejo lá o luzir
O vento ao meu favor, o tempo que a senhora falou.
Que não veio sem hora, veio na hora de reencontrar o meu amor.


Por Aslien.

Coração não fala, escuta.

Nem mesmo entre tantos insultos, palavras ferinas, e as fincadas no peito. Tudo isso que nos faz “desencontrar-mos” de nós, machuca,arde, queima. Eu mesma me vi cega de mágoas, em meio às palavras. Por vários momentos que olhei o céu a noite, olhei o chão
E tudo era a mesma coisa...
Mas no fundo, a dor só consegue me dizer uma coisa.  Você gosta de mim, você me ama de verdade. Suas palavras mostram o contrário, e elas são assim, cheias de autoridade.  Mas seus olhos e seu corpo dizem a verdade. E tem língua mais sincera que o olhar? A minha dor é a certeza, de que suas palavras não são aquilo que querem dizer, mas dizem e ferem.

Por Aslien.

4 de junho de 2011

Jamaica

O filho tinha uns 10 anos, chegava do colégio cabisbaixo:
- Pai, a Ana não gosta de mim!
O pai que lia as últimas notícias do jornal, se endireita na cadeira e o olha intrigado:
- Ela disse que gosta do Pedro..
- Mas por que?
- Porque ela disse que ele tem o tênis azul da Rike, e que deu pra ela uma boneca de aniversário...
- E você deu o que pra ela?
- Eu dei uma cartinha dizendo que sentia que gostava muito dela...
O menino  se esforça, mas as lágrimas começam a descer pelo seu rosto.
O pai se aproxima e dá um abraço:
- Não fica assim não, meu filho...
- P-pai...V-vamos pra Jamaica?
- Pra Jamaica meu filho?
- É porque eu não quero mais viver nesse mundo, que é preciso ter pra p-poder amar...

11 de maio de 2011

caixa de vidro.

E foi em uma caixa de vidro que eles se viram a primeira vez,
dentro dela se ouviam dois pulsares, dois olhares,
uma vontade, porém uma possibilidade.
A de morrer sufocados. Talvez fosse a solução, morrer para assim se libertar.
Mas os corações, e os olhares, as mãos seguradas?
E foi aí que em uma caixa de vidro eles se beijaram pela primeira vez.
Absortos no nós, nosso! A felicidade dobrou e o oxigênio ainda sobrou.
Mas até quando? Oh meu deus, precisavam sair dali!
Era o fim. Tudo perdido. Ela procurava uma saída ali, ele lá.
O olhar se perdia de tanto procurar. O oxigênio só diminuía. E como doía.
As mãos afoitas se perdiam entre paredes e dedos.
Coração!Oxigênio! Coração! Oxigênio!Corações...
O desespero, e o medo se alastravam fugazes, já não se via mais saídas,
muito menos se olhavam mais. As mãos se fecharam nos próprios medos.
Medo de se perder o que já se perdia.
E foi aí que em uma caixa de vidro, dois corações dormiram sozinhos.

26 de março de 2011

o que chamam de Amor.

O amor é inexplicavelmente poderoso e maior que tudo.
Então por que insistem em impor limites sobre ele?
Existem tantas forma de amor, e isso é tão bom e bonito, que nossos olhos não conseguem ver.
E seria egoismo estipular um único como sendo o certo.Estipulam porque não enxergam além.
Não enxergam como isso limita e impede a paz que tanto falam e desfalam.
Todos os amores deveriam exister e serem aplaudidos.
Mas o mundo de cegos ainda se perguntam: "Cadê a paz no mundo?"

medo.

Correndo, com um peso nas costas e já cansado de tanto ler. Eis que a frente vê uma lanchonete, e ele estava com fome.
Fome demais. Assim que pega o salgado recém aquecido, sente seu estômago cheio, boca seca, um vento frio. Custando engolir
Senta-se na praça contra o vento, onde pudesse ser encoberto todo seu corpo pelo céu azul. Sentia-se um ponto cinza.
Difícil a deglutição...
"Caramba!"
"Que céu imenso né?"
A garota de saia que ele nem havia percebido se aproximar, exclamou, com um sorriso.
E com olhar incrédulo ele se vira pra ela:
"Está aqui há muito tempo?"
Gagueja.
"Não muito. Você parece assustado... Desculpe ter lido seus pensamentos"
Disse ela rindo. Difícil acreditar que ela tinha razão.
"Sem problemas."

(Silêncio.)

(Silêncio.)

"Sabe que é difícil acreditar que duas pessoas tão aleatórias possam estar se falando como se fossem velhos amigos..."
"Dificílimo, me sinto melhor aqui do que se estivesse com um amigo meu. Ele anda meio estranho, distante, seus olhos têm
Um peso enorme, bem diferente de antes... Eles eram doces...”
"Talvez ele esteja com problemas... Quem sabe se você lhe desse uma mão."

Ela lhe daria o céu naquele momento, talvez iluminassem seus olhos outra vez, porém:
"Quer um gole da minha coca?"
Ele não queria um gole de coca, queria somente estar no mesmo céu que ela, porém:
"Quero!"

14 de março de 2011

Corpo e coração



Uma mulher tece sua tese em meio a bagunça de seu quarto.
Cientista, ela já viu vírus, átomos e tudo. Autodidata. Tudo que sabe, entendeu por si.
Ela esfrega as mãos no rosto tensa, incomodada.
"Tudo?"
Doenças psicológicas são possíveis, ela sabia e já viu. Talvez se observar direito...
"Certo?"
Predisposições genéticas, pela idade, pelo grau de estresse, por infecções e fatores ambientais.
"Nada!"
A probabilidade de resolução, sabido de todos esses fatores, é exata. Sabe-se como evitar, inevitavelmente sabe consertar isso,
"Certo!?"
E na cadeira, cinza e desgastada pelas noites em claro, que ela passou analisando e se agoniando. Ela joga a cabeça para trás, vencida:
[consciência]... É provável que se você não é louca agora, vá ficar.
Eu venho com recomendações, mas elas se perderam.
"Onde?"
No tempo!
“Por quê?”
Não se sabe...
"Quando?"
...Me apaixonei.



9 de março de 2011

Comida.

Sabe-se lá onde era aquela cidade com 1800 habitantes, 966 mulheres e 834 homens.
Sabe-se lá quantas pessoas iam naquele bar, no centro
Quantas festas, quantas louças, quantas carros, quantas pernas em movimento
Vai saber o que aquele menino fazia lá sentado
Esperando, olhando, refletindo entre desenhos no guardanapo, olhando o cardápio
Onde deveria estar, sei lá, pescando com o pai, pegando o ônibus para a escola, comendo salada!
(Os adultos, seja lá quem sejam, falam que deve comer salada!)
Vai saber qual dos garçons trazia, se era o Matheus ou o Paulo que também trabalha na padaria.
Também não sei o que, pouco me importa, se sanduíche, macarrão ou torta. Mas o menino comia, e comia feliz. Cada pedaço. Cada momento. Cada..cada..cada...cadê?
Não sei, sei lá, tanto faz.
O menino é que escolhe o que come, porque ninguém mais pode comer por ele!